quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Contrapartida - Dublinenses – James Joyce

Olá, pessoas! Tudo certo por aí? Seguindo a ideia de trazer 1 conto por semana, continuamos com os meus favoritos de Dublinenses. 




Agora falaremos sobre o conto mais angustiante do livro! Representando a vida adulta, “Contrapartida” fala sobre as pressões, cobranças e frustrações que nos assolam.
Já falei sobre o segundo conto da obra, para ver, Clique aqui.
Neste conto conhecemos Farrington, um homem alto e forte que trabalha em um escritório e é cobrado furiosamente por seu chefe para que faça uma cópia de um contrato (lembrando que naquela época não existiam copiadoras e este serviço era feito à mão). Angustiado pela humilhação no trabalho, Farrington tenta enrolar seu chefe e entrega as cópias faltando duas páginas. O chefe explode e tenta humilhar ainda mais seu funcionário. E este, mesmo com o ódio atravessado na garganta, responde com um tom de voz calmo, porém com palavras certeiras. No final das contas, acaba por ter que pedir desculpas e sua humilhação só aumenta. Desesperado para compensar seus desprazeres com injeções de prazeres imediatos, Farrington penhora seu relógio para conseguir dinheiro e afogar suas frustrações no bar. Chegando lá, as coisas só pioram e ele se vê ainda mais humilhado.

Farrington está preso em uma vida que o sufoca, casado com uma mulher que ... o atazanava quando estava sóbrio e era atazanada por ele quando estava bêbado. Pai de cinco filhos, representa bem o papel de adulto responsável, um homem que tem um emprego e o mantém a qualquer preço. É possível perceber como a vivacidade da juventude já se apagou e, amargurado pelo simples fato de ter que crescer a assumir responsabilidades, não está muito longe de diversos homens que não se sentem confortáveis em sua própria vida e precisam sustentar a imagem ideal aos olhos de nossa digníssima sociedade que separa nossa consciência individual da consciência coletiva e acaba por estabelecer a segunda como juíza de todas as vontades, a quem devemos desculpas por nossos desejos e a quem fazemos um pacto Fáustico e trocamos nossa alma por sua aprovação.

Um homem derrotado por si mesmo que resolve descontar sua fúria e fraqueza em alguém mais frágil do que ele. Um covarde que termina sua saga espancando uma criança que poderia estar representando a si mesmo. Sua doçura, inocência e prazer de viver que foram esbofeteados pela própria vida e pela sociedade em que todos nós vivemos. 

Quarta-Feira que vem tem mais Um Conto por Semana!
Beijos Coloridos da Pit!
;)

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